O texto Design: Obstáculo para remoção de obstáculos de Vilém Flusser trata-se da dialética interna da cultura, um processo paradoxal, em que os objetos de uso são necessários para que possa-se prosseguir, ao mesmo tempo, que são obstáculos no meio do caminho. Inicialmente, o autor busca definir o objeto a partir das definições da palavra em latim e grego, descrevendo-o como algo que está no meio, lançado no meio do caminho, e assim, concluindo que o mundo é objetivo, objetal e problemático, e complementa que um “objeto de uso” é um objeto de que necessita e que se utiliza para afastar outros objetos do caminho. Em seguida, responde ao questionamento de onde e para que foram lançados: “foram projetados por pessoas que nos precederam”, sendo assim, projetos necessários para progredir, ao mesmo tempo, obstruções do progresso, e que, para superar esse dilema, o projetista deve ele mesmo desenvolvê-los e lançá-los no caminho de outras pessoas, e definindo essa questão como configuração. Dessa forma, conclui que objetos de uso são mediações entre os homens, não apenas meros objetos, carregando em si, não apenas um caráter objetivo e problemático, mas também um caráter intersubjetivo e dialógico. Em seguida, explica que o processo de criação e configuração dos objetos de uso envolve a questão da responsabilidade e, consequentemente, da liberdade; a primeira trata-se da decisão de responder para entrar em diálogo com outros homens, e a segunda, que não é possível mudar que o projetista lança obstáculo no caminho dos demais assim como o seu propósito de emancipação. Assim, ao responder pelo projeto criado, enfatiza-se o aspecto intersubjetivo, e não o objetivo, e quanto mais irresponsavelmente for criado, mais estovará seus sucessores e consequentemente, encolherá o espaço da liberdade na cultura. O autor relata que, atualmente, projeta-se com a finalidade de produzir objetos de uso cada vez mais úteis, porém os objetos resistem a esses projetos, incitando os projetistas a penetrar mais e mais profundamente no mundo objetivo para que se tornem cada vez mais familiares e sejam capazes de manejá-lo, o que viabiliza o progresso técnico e científico e esquece o progresso em direção aos outros homens, fazendo com que qualquer ato criativo seja visto como retrocesso. Porém, defende que essa situação está começando a mudar com o surgimento de uma cultura imaterial, que pode restringir ainda mais a liberdade do que a material, mas leva a criação de um modo responsável, permitindo que os outros homens que estão por trás deles sejam percebidos. Por fim, considera que a consciência do caráter efêmero de todas as formas pode resultar em uma cultura com mais liberdade, isso porque, assim como os objetos utilitários consumidos, seus projetos são extintos, deformados e jogados fora, obstruindo o caminho da mesma forma que os objetos de uso, e estar consciente disso pode possibilitar uma criação mais responsável, resultando numa cultura em que os objetos de uso significariam cada vez menos obstáculos e cada vez mais veículos de comunicação entre homens.
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